Paes rebate versão de Delúbio para repasse à Coteminas

Notícias - 07/12/2005

Brasília (7 de dezembro) – O secretário-geral do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ), rechaçou a versão apresentada pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares sobre o depósito feito, em espécie, à Coteminas – empresa do vice-presidente da República, José Alencar. Segundo o petista, o valor referente ao pagamento de 2,7 milhões de camisetas encomendadas pelo partido para a campanha de 2002 teria sido uma sobra dos recursos do caixa dois financiado pelo empresário Marcos Valério.

ORIGEM DESCONHECIDA

Na opinião de Paes, o dinheiro destinado à Coteminas não faz parte dos R$ 55 milhões conseguidos por Valério junto aos bancos BMG e Rural para o PT. “Esse dinheiro não era suficiente para quitar todos os débitos do partido. Quando o pagamento de R$ 1 milhão foi feito, os recursos do valerioduto já tinham acabado, e o PT já não tinha mais nenhum centavo“, afirmou hoje. “Pelas informações prestadas pelo PT, a verba do esquema já havia sido usada para outros fins que não o R$ 1 milhão destinado para a Coteminas e para as camisetas vermelhas da campanha“, completou.

Delúbio chegou a afirmar que guardou por um ano a sobra dos supostos empréstimos nos cofres do PT. O parlamentar tucano acredita que a história contada pelo ex-tesoureiro é absurda. “Ninguém guarda dinheiro no colchão, nem o investidor mais incompetente e mais corrupto do PT. Além de um péssimo investidor, Delúbio é trapalhão, corrupto e cada vez ele mente pior“, destacou.

Na avaliação do deputado Gustavo Fruet (PR), sub-relator de movimentação financeira da CPI dos Correios, o dinheiro utilizado na transação com a Coteminas tem outra fonte. “Esse recurso não constava na contabilidade do PT e muito menos nos dados contábeis paralelos feitos por Valério. A Coteminas registrou esse dinheiro no momento em que recebeu o depósito e identificou o PT como depositante. Precisamos agora verificar a contabilidade para fins fiscais, as pessoas que participaram dessa operação e qual a origem desse dinheiro“, ressaltou.

CINISMO

O deputado descarta a possibilidade de reconvocar o ex-tesoureiro para explicar essa negociação. “Já há elementos da investigação que levam a desdobramentos criminais. Não precisamos mais ouvir o cinismo dele e suas novas versões. Sob o aspecto político é um absoluto desastre. Essa versão do Delúbio é um desrespeito às investigações. Significa imaginar que no Brasil todos são imbecis“, condenou.

O presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar, procurou hoje o comando da CPI dos Correios para esclarecer o caso aos parlamentares. Segundo ele, o pedido da confecção das camisetas teria sido feito pelo PT em 2004. O contrato de R$ 12 milhões não foi pago pelo legenda do presidente Lula, que descumpriu todo o cronograma de pagamento.

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07/12/2005