Fernando Henrique: assinatura de cédulas do real foi regular
Ex-presidente minimiza polêmica levantada por Itamar Franco
Brasília (11 de março) – O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso disse nesta terça-feira que todo o material correspondente à produção das notas de real, moeda lançada em julho de 1994, foi cunhado com antecedência, quando ainda era ministro da Fazenda do governo Itamar Franco. Ele minimizou a polêmica criada pelo ex-presidente, segundo quem o tucano assinou cédulas da nova moeda quando já estava fora da pasta, o que seria irregular.
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“Itamar, provavelmente, se esqueceu de que todo o material correspondente à nova moeda – não só as cédulas, mas também as moedas – foi cunhado nos moldes com muita antecedência, pois a produção do equivalente a todo o meio circulante nacional foi muito trabalhosa. Por isso assinei os moldes“, afirmou. O atual presidente de honra do PSDB lembra que as cédulas foram inclusive apresentadas a Itamar, enquanto FH ainda era ministro, para que o então presidente aprovasse os desenhos.
Segundo o tucano, as assinaturas são “um detalhe que conta muito pouco na enorme tarefa de reconstrução da credibilidade da moeda nacional“. Ainda de acordo com FH, se não fosse o empenho da equipe liderada por ele e o apoio constante dado pelo presidente Itamar, teria sido impossível realizar tal tarefa. Por fim, o presidente de honra do PSDB lembra que, àquela época, o Plano Real ainda era chamado de Plano FHC.
Tarcísio Jorge Caldas Pereira, presidente da Casa da Moeda entre 1995 e 2000, endossou a argumentação do tucano. Segundo ele, o grande volume de cédulas impressas pode estar na raiz da confusão explicitada na entrevista de Itamar Franco, que faz alusão a um suposto uso político das cédulas. Ele explicou que o medo de que faltasse dinheiro e o país quebrasse levou o Banco Central a encomendar a produção de 130 milhões de cédulas de R$ 100, toda ela realizada ainda no governo Itamar e com Fernando Henrique à frente do Ministério da Fazenda.
Conforme Tarcísio, o nível de produção foi três ou quatro vezes acima do normal. “Esse volume foi tão grande que, tenho certeza, até o início do governo Lula nunca mais se imprimiu uma nota de R$ 100“, ressaltou. O normal, explicou, seria imprimir cédulas que permitissem a reposição no meio circulante durante um ano. “Mas com as notas de R$ 100, conseguiu-se grande volume financeiro com poucas cédulas. Se fossem de R$ 5, teríamos dois bilhões de cédulas“, explicou.
O excesso de produção ficou nos cofres da Casa da Moeda e foi, posteriormente, entregue ao Banco Central, mas não posto diretamente em circulação. Ele disse que a nota de cem foi a única produzida numa quantidade deliberadamente excessiva, pois o BC não podia se ver numa situação de não poder atender à demanda.
Ainda segundo ele, a assinatura ou chancela nas cédulas é uma praxe. Por isso, as notas produzidas continham as de Fernando Henrique. “Todo ministro da Fazenda quando assume envia um espécie de assinatura à Casa da Moeda, que é colocada mecanicamente na produção de cada uma das notas“, salientou.